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Mato Grosso do Sul

Justiça manda suspender pesquisa para o governo de MS registrada pelo Instituto Verita

Decisão considera haver indícios que comprometem a confiabilidade do levantamento e determina retirada do conteúdo das plataformas

22/04/2026 12h06
Por: Redação
Fonte: TRE - MS

A Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa eleitoral para o Governo do Estado registrada sob o nº MS-00490/2026, elaborada pelo Instituto Verita Ltda.. A decisão prevê ainda multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

A medida foi assinada pelo juiz Vitor Luis de Oliveira Guibo, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, após análise de uma impugnação que apontou supostas irregularidades relevantes tanto no registro quanto no questionário da pesquisa.

De acordo com o processo, foram identificados problemas no plano amostral apresentado pelo instituto, especialmente quando comparado a dados oficiais do IBGE. Entre os pontos questionados estão divergências nas cotas de escolaridade e na condição da força de trabalho com base na PNAD Contínua 2025, além de inconsistência entre o universo informado no registro — o eleitorado — e o público efetivamente considerado no questionário, que faria referência a moradores ou eleitores.

Também foi levantada a hipótese de subestimação da margem de erro, entre outras falhas apontadas na ação. Em análise preliminar, o magistrado entendeu que havia elementos suficientes para conceder a tutela de urgência e barrar a divulgação do levantamento.

Na decisão, o juiz destacou ainda indícios que colocariam em dúvida a confiabilidade da pesquisa, inclusive falhas no Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE) apresentado pela empresa no sistema PesqEle.

Entre os problemas mencionados estão a emissão de documento com data futura, 12 de maio de 2026, e a ausência do CNPJ no cabeçalho do material, o que, segundo o magistrado, dificulta a verificação da capacidade econômico-operacional da empresa para custear a realização da pesquisa. Para a Justiça, isso gera dúvida sobre a regularidade do financiamento informado.

O juiz ressaltou que a exigência dessa documentação não representa mero excesso de formalidade, mas uma providência necessária para assegurar transparência e confiabilidade nas pesquisas eleitorais levadas ao conhecimento do público.

A decisão também observa que o risco de dano decorre do próprio potencial de influência que pesquisas eleitorais exercem sobre o ambiente político, produzindo efeitos que podem ser difíceis de reverter posteriormente.

Além de impedir novas divulgações, a Justiça determinou que o Instituto Verita comprove a retirada do conteúdo de todas as plataformas sob seu controle e informe a suspensão a terceiros que eventualmente tenham recebido os dados da pesquisa.

Apesar da ordem judicial, o instituto ainda teria divulgado o resultado do levantamento em seu perfil no Instagram.

A Procuradoria Regional Eleitoral foi intimada a se manifestar sobre o caso. Após o parecer, o processo deverá retornar para nova análise, desta vez sobre o mérito da ação.

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